24.5.10

Salve Éris! ou "Isso é tudo pessoal"  

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uhuw!


domingo foi um dia especial. domingo foi dia 23 do 5.
o mais erístico do calendário gregoriano.

bem, eu tive a minha comemoração  ; ]

agora, no virtual, nada mais eristico (ou não) 
do que por fim nesta joça.

...

fim!



12.5.10
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"Os problemas dela eram de um cunho sexual?"
"Os problemas de todas as pessoas na nossa sociedade são de natureza sexual"


26.4.10

Kubrick - "If life is so purposeless, do you feel that it's worth living?"  

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22.4.10

A Verdade Sobre a Água  

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Por Rev. Albert

Eu tuitaria, mas se eu tentasse resumir em 140 caracteres diriam que sou doente. Então eu criei um blog aqui somente pra te convencer que água é uma droga. Sinto-me perdendo tempo, mas não importa mais. Não agora. Enumerarei meus argumentos e de antemão lamento [ou não] que esta redação possa ser interpretada como uma apologia às drogas. Porém, já escancaro [de cara] que não vou me preocupar com esta questão (e muito menos deixar de escrever), porque a mim é claro que a interpretação de um texto não é responsabilidade do autor, mas do leitor. Em suma, não fazer merda depois de ler esse texto é um problema exclusivamente teu.

Aproveitando a forma [que considero] franca como comecei, antes de mais nada penso que seja conveniente partirmos de definições precisas de droga e entorpecente. Eu escolhi usar estas, do Houaiss:

droga: qualquer produto alucinógeno (ácido lisérgico, heroína etc.) que leve à dependência química e, p.ext., qualquer substância ou produto tóxico (fumo, álcool etc.) de uso excessivo; entorpecente.

entorpecente: que ou o que age no sistema nervoso central, provocando estado de entorpecimento, de embriaguez, e que, mesmo tolerável em doses altas pelo organismo, freq. causa dependência e progressivos danos físicos e/ou psíquicos (diz-se de droga, medicamento ou outra substância); estupefaciente.

Se discordas dessas definições, leitor teimoso e irritante, não percas tu tempo lendo o resto de meu texto ou comentando pois meu blog é uma autocracia e não vou alterá-las; recomendo-te que escrevas uma carta endereçada ao Polipadre Timóteo Pinto (Rua Cinco, 23 — Omarlópolis, Maldoislândia — Planeta Éris) que ele adorará discutir contigo. Obrigado pela compreensão. Aos idiotas de mente fraca que aceitam tudo que falo, agora exponho os meus argumentos, em cinco partes:
Água é um produto alucinógeno

É fato comprovado estatisticamente que quem ingere água tem alucinações. De fato, todos que já ingeriram água fantasiam um mundo nonsense cheio de pessoas malucas, acontecimentos estranhos e posts absurdos em blogs de reverendos inexistentes.

As alucinações são fortes a ponto das pessoas que ingerem água terem certeza que aquilo é realidade, e inventam mesmo sua própria existência, amigos, ciência, tecnologia. Nenhuma outra droga tem um efeito tão avassalador.
Água leva à dependência química

Todos que já beberam água o fazem diariamente durante toda sua pseudoexistência. Quando um tenta parar, tem intensa crise de abstinência e morre em poucos dias. O organismo pede mais água do que qualquer outra coisa, e esta água vai tomando o corpo da pessoa, que pensa que ela faz bem. Se discordas, para de usar e depois vem discutir.
Água é uma substância tóxica de uso excessivo

As estatísticas mostram que o ser humano não foi feito pra beber água. Ela causa sérios danos ao organismo (tanto que todos que ingerem água morrem) e são conhecidos casos de pessoas que beberam água e contraíram todo tipo de doença já diagnosticada pela humanidade. Logo, é por definição um produto tóxico.

O uso excessivo já foi comentado no ponto anterior.

(Os outros dois argumentos serão omitidos para serem usados em futuras discussões, não por minha culpa, mas porque Éris ainda não me disse quais são e a minha glândula pineal não está funcionando muito bem porque tenho usado muita água.)

Reflitamos.

Quem não cheira cocaína odeia quem desperdiça sua vida cheirando cocaína pra perder o medo e se sentir mais forte.

Quem não fuma maconha odeia quem desperdiça sua vida fumando pra relaxar.

Quem não fuma odeia quem joga fora seus pulmões ao passar a vida fumando.

Quem não bebe bebidas alcoólicas odeia quem causa confusão porque precisa de álcool pra ter uma festa boa.

É fato conhecido que os piores seres da história da humanidade estiveram sob o efeito de água quando agiram das maneiras mais cruéis existentes. Alexandre O Grande, Napoleão, Adolf Hitler e Artur da Costa e Silva são alguns exemplos que mostram que a água causa danos muito piores à sociedade do que a cocaína.

Por isso, afirmo: meu caro, és um viciado como qualquer outro. Quem não toma água odeia tu, que destróis o mundo porque dependes dela pra viver.



22.2.10

Rizoma - Creme e Castigo  

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Conheça o terrorista Noël Godin, que espalha medo na Europa com seus ataques de torta doce.
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Há infinitas formas de subversão. Mas poucas equiparam-se, em comodidade e eficiência, à torta de creme". São palavras de Noël Godin, um distinto senhor de 50 anos, nascido na Bélgica. Desde 1969, ele e sua brigada internacional de entarteurs, como são chamados, vêm melecando os rostos de personalidades poderosas com deliciosos bolos de creme e tortas, direto das melhores confeitarias. Se o ataque fracassa ou é cancelado, eles simplesmente comem as tortas, com certa satisfação. Algumas das 22 vítimas foram a romancista Marguerite Duras, o cineasta Jean-Luc Godard, vários políticos europeus e até mesmo o todo-poderoso Bill Gates.

Só o filósofo Bernard-Henri Levy, conhecido por sua prepotência, já foi alvejado 5 vezes. Certo dia, ele andava pelo aeroporto de Nice em companhia de sua terceira esposa, a atriz Arielle Dombasle, vestido impecavelmente com uma camisa da Christian Dior. Estava sendo filmado, e sorria para as câmeras, com doçura. Enquanto o casal se enfileirava para o check in, sombras esquivavam-se ao fundo, segurando algo intrigante feito de creme. No momento em que o casal apanhava os bilhetes de embarque, três torteadores surgiram do nada, com Noël Godin liderando a turma. O filósofo gritou: "Oh não. Oh não, de novo não" - e foi coberto de recheios, glacê e chantili.

As tortadas sempre são delicadas: entre os praticantes da modalidade, é proibido o lançamento à distância. Os torteadores apenas pousam o artefato suavemente junto ao rosto da vítima -- mas, em geral, não recebem respostas tão sutis. Levy, por exemplo, reagiu por meio de coléricos murros dirigidos a Noël Godin, no mesmo instante em que uma torteadora defendia-se com mais um bocado de creme, e uma segunda entretinha-se em despejar chocolate com cobertura de chantili na cabeça de Arielle " Dombasle. Levanta!", ordenou o filósofo a um dos torteadores, "Ou eu chuto a tua cabeça!".

Os membros da brigada estão proibidos de reagir fisicamente aos ataques, mesmo violentos. Na ocasião, a esposa de Bernard-Henri Levy unhou vigorosamente uma das torteadoras; já o filósofo preferiu quebrar a câmera de vídeo e socar o cameraman no nariz. Os "guerrilheiros" tampouco devem tentar fugir após os ataques: a polícia retirou Noël Godin do local apenas quando ele já estava sendo sufocado por Levy e recebia bolsadas histéricas da atriz.

Os primeiros cinco segundos após um ataque de tortas", postula Noël, "revelam o caráter real da vítima". O cineasta Jean-Luc Godard, vejam só, reagiu com bom-humor: retirou o cigarro da boca, lambeu lentamente o creme e ainda declarou que aquilo era "uma verdadeira homenagem ao cinema mudo". Depois disso, não foi mais incomodado pelos torteadores. "Bem despachada, a torta de creme é um acurado barômetro da natureza humana", constata Noël.

:: A Flor-de-Lótus Não Voltará a Crescer Em Sua Ilha ::

"Sempre disse a mim mesmo que era necessário reagir, sustentar a subversão por meio do humor", declara o belga, sobre o poder das tortas de creme como armas de guerrilha imaginativa (pois suscitam, ao mesmo tempo, comédia e terror). Antes de ser torteador profissional, ele já punha em prática suas idéias pela Europa: quando jovem, fora expulso da Faculdade de Direito por desrespeitar um professor. Sabia-se que o sujeito tinha ajudado a redigir a constituição do ditador Antonio Salazar, e mesmo assim todos estavam indiferentes. Noël e os amigos vestiram-se de operários, entraram na sala de conferências e, assoviando a Internacional Comunista, despejaram um tubo de cola direto na cabeça do mestre.

A expulsão da faculdade não calou Noël, que licenciou-se em história do cinema na Universidade de Lieja e logo foi contratado para trabalhar numa revista católica, resenhando filmes. "Comecei a publicar mentiras absurdas - primeiro aos poucos, depois freqüentemente". Inventava filmes que não existiam e ilustrava-os com fotos de parentes. Escrevia dezenas de entrevistas fictícias com cineastas, sem deixar o próprio quarto. Consciente de que tinha uma porção de leitores devotos, Noël anunciava uma conversão a cada três meses, inclusive de penitentes tão improváveis quanto Luis Buñuel e Tennessee Williams.

Os leitores da revista "Amigos do Cinema", em pouco tempo, foram apresentados à obra de gênios inteiramente insólitos, como Sergio Rossi, Aristide Beck e Vivianne Pei, a única diretora cega da história do cinema, autora do longa-metragem "A Flor-de-Lótus Não Voltará a Crescer Em Sua Ilha". O filme da suposta diretora tailandesa foi descrito por Noël tão vivamente que um especialista em cinema asiático chegou a viajar à Tailândia para procurá-la.

Noël pôde continuar publicando matérias desse naipe graças a um editor crédulo, e também porque a revista não era distribuída fora da Bélgica. Além disso, seus leitores não primavam por um senso crítico dos mais aguçados (até aí, nenhuma novidade). Era quase um convite para prosseguir: o intrépido repórter cobriu o lançamento do filme "Vegetais de Boa Vontade" (1970, Jean Clabau), no qual Cláudia Cardinale fazia o papel de uma endívia gigante. Resenhou também o desenho animado maoísta "Germinal II", com Jean-Louis Barrault fazendo a voz de um formão.

Nas páginas da revista, Marlene Dietrich liderou expedições para encontrar o monstro do Lago Ness, Michael Caine pilotou um carro movido a iogurte e Louis Armstrong confessou ter sido canibal (além de ter financiado, também, o filme "Vegetais de Boa Vontade"). Em entrevista exclusiva, o diretor Richard Brooks confessou que seus filmes eram uma porcaria e ainda arrematou: "Eu sou um cretino".

:: "Quando encontro um novo tom de cinza, sinto-me extasiado" ::

Noël Godin entrou para o negócio das tortas após escrever uma excelente reportagem sobre o dia em que um de seus diretores fictícios, Georges Le Gloupier, atacou Robert Bresson com uma torta de creme. Na edição seguinte, inventou que Marguerite Duras, escritora amiga de Bresson, planejava uma revanche. "Dias depois, fiquei sabendo que Duras estava mesmo vindo para a Bélgica"; foi então que resolveu atacá-la com uma torta de verdade, no momento em que ela dissertava sobre o tema de seu segundo filme, Destroy, She Says. Redigiu uma matéria em que creditava o ataque a Le Gloupier. Em seguida, pegou gosto pelo ofício.

Já são mais de 20 os contemplados com suculentas tortas de creme na região facial. São escolhidas como vítimas as pessoas públicas vazias, fúteis ou simplesmente idiotas, das mais diversas nacionalidades, que compartilhem uma parte do poder. O que têm em comum? Todas se levam a sério demais, acham que são importantes e não possuem o menor senso de humor. "Acredito sinceramente que podemos acertar o Papa", completa.

As tortas são essenciais para lembrar alguns cidadãos de que eles são apenas humanos. Bill Gates, por exemplo, foi alvejado porque escolheu trabalhar pelo status quo, sem realmente usar sua inteligência e imaginação. Quanto a Bernard-Henri Levy, uma só frase dele poderia justificar as 5 tortadas: "quando encontro um novo tom de cinza, sinto-me extasiado".

:: Sérios e dogmáticos ::

O ato de lançar tortas na cara é uma espécie de Esperanto visual e tem uma linhagem nobre, que pode ser traçada através de Jerry Lewis, Wile E. Coyote, os irmãos Marx e yippies como Abbie Hoffman -- todos heróis de Noël, que ainda gosta de Júlio Verne e se considera anarquista. Para ele, o que diferencia os torteadores de muitos revolucionários é que os últimos tendem a ser sérios demais e costumam tornar-se insuportavelmente dogmáticos. Segundo o torteador, é exatamente o que falta no atual movimento "antiglobalização": são sérios além da conta, e bolcheviques demais. "Muitos deles são escoteiros", presume.

Desde jovem, Noël Godin disseminou práticas de sabotagem cotidiana, como obstruir fechaduras, provocar erros na contabilidade, espalhar ameaças de bomba, grudar um naco de piche nas câmeras de vigilância. "Nunca curei-me da febre de maio de 1968", diz. Ele e os colegas entarteurs sempre vestem-se de roupas esdrúxulas (é o uniforme oficial do time), com longas barbas falsas, óculos grossos e gravatas-borboleta. Quando um deles foi preso, após cobrir de creme o ministro da Cultura francês, o argumento usado no tribunal foi de que lançar tortas na cara era um velho costume belga. Ganhou a absolvição.


"Os intelectuais são muito sérios", lamenta Noël, defendendo a guerrilha criativa e manifestando sua simpatia pelos escândalos públicos de Antonin Artaud -- como nas vezes em que ia a restaurantes caros de Paris e usava as mãos para comer, assustando as senhoras respeitáveis. Exemplos assim, finaliza Noël, provam definitivamente que "qualquer um pode matar o poderoso através do rídiculo, tendo em mãos uma torta de nada".

p.s.: Fontes fidedignas asseguram que tortas de creme de ovo são mais eficientes quando o alvo é móvel; já as tortas-merengue de limão resistem melhor durante ataques bruscos. Os anarquistas da brigada de São Francisco, por sua vez, preferem tortas de côco (como as que atiraram no economista Milton Friedman) e de creme de tofu (usada no ataque ao diretor da Monsanto).
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LINKS

Reportagem no jornal Observer - http://www.mindspring.com/~jaybab/observer.html
Reportagem na revista espanhola Babab - http://www.babab.com/no09/noel_godin.htm
Alguns links sobre os entarteus e Noël Godin - http://www.babab.com/no09/noel_godin.htm
Leia também: a biografia de Noël Godin,"Creme e Castigo", ainda não disponível em português.

18.2.10

O Cão de Pavlov e O Gato de Schrödinger  

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      por Papa Duubhglas Juarezzz

( I )

Pééé!

Esse era o som da campainha. É, eu sei… Uma grande bosta, mas com o tempo você se acostuma. E depois de um tempo, você até sente falta quando viaja.

Mas, quando se é um cachorro, você não viaja muito. E se você é um cachorro inteligente que assiste tv, você descobre que em algumas viagens, os cachorros não voltam. Mas isso não impede de você abanar a porra do rabo toda vez que vê o dono balançar a chave do carro.

Se você é um cachorro inteligente de verdade, você não vê tv.

Eu sou um cachorro de 1931.

Não precisa ser inteligente de verdade pra saber que em 1931 não existia tv, mas se você é inteligente de verdade, você não está nem aí pra isso; aliás, você está lendo um texto escrito por um cachorro!

8.11.09

A Necessidade de Aprovação e Reconhecimento  

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É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor. O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento. E isso coloca as coisas de cabeça para baixo. O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.


Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando. Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.
Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.
Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído. Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento. Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo. Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’
Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.
Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético. O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso. E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.
Não peça reconhecimento. Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito. A sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável. O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.

Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.

Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês. E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.
O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele. O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.
Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters. Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário. Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.

Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho. Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo o que fiz. Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’ E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.

Por que você deve se preocupar com reconhecimento? Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito. Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!

Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar. Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’
Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso. Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes. Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’ Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada. Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer? Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série. Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’
Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.

Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma. Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo. Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.’
Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes! Então, qual função esta universidade está preenchendo? Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.
Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.
Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes… E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria?’
Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir. Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui. Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula. Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno. Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’
Ele disse, “Auditório? Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório? O que, então, os outros professores estarão fazendo?’
Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’
Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando. Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?’
Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas. Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias. Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar. O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’
Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações… Mas, finalmente eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo. Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade? O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.

E você pode ver. Eu fui condenado.

Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.

Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta. Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento? Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.
E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’
Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’

Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento? Por que alguém deve ansiar por aceitação?

Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.
A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.


Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel. Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.
Dessa maneira você se torna um indivíduo. Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado. Este é o início do seu florescimento supremo.
Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.

Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. 


Você será condenado enquanto viver… Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.


Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará.

27.10.09

Minhas Prioridades  

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Eu estou escolhendo essas coisas como minhas prioridades
tanto escolhi essas coisas quanto escolhi faze-las
quanto escolhi não fazer outra.
Mesmo que apenas tenha olhado para um lado
e escolhido aleatoriamente
eu escolhi me abster de uma escolha ativa.
E isso também é uma escolha.
Não importa se são escolhas confortáveis ou não.
Não importa se são escolhas úteis ou não.
Não importa se são escolhas com buracos ou não.
Vou executa-las até acabar;
A não ser que leas fiquem muito paradas ou
caracinza ou encham meu saco.
ai vou escolher fazer outras coisas
(ou nada, o que é outra escolha)
para fazer meu dia valer.

13.10.09

mememememe - E se Ideias Forem Vírus?  

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"Pessoas possuem Ideias;
Ideologias possuem Pessoas."
[em construção]

Consider the T-phage virus. A T-phage cannot replicate itself; it reproduces by hijacking the DNA of a bacterium, forcing its host to make millions of copies of the phage. Similarly, an idea can parasitically infect your mind and alter your behavior, causing you to want to tell your friends about the idea, thus exposing them to the idea-virus. Any idea which does this is called a "meme" (pronounced `meem').

Unlike a virus, which is encoded in DNA molecules, a meme is nothing more than a pattern of information, one that happens to have evolved a form which induces people to repeat that pattern. Typical memes include individual slogans, ideas, catch-phrases, melodies, icons, inventions, and fashions. It may sound a bit sinister, this idea that people are hosts for mind-altering strings of symbols, but in fact this is what human culture is all about.

As a species, we have co-evolved with our memes. Imagine a group of early Homo Sapiens in the Late Pleistocene epoch. They've recently arrived with the latest high-tech hand axes and are trying to show their Homo Erectus neighbours how to make them. Those who can't get their heads around the new meme will be at a disadvantage and will be out-evolved by their smarter cousins.

Meanwhile, the memes themselves are evolving, just as in the game of "Telephone" (where a message is whispered from person to person, being slightly mis-replicated each time). Selection favors the memes which are easiest to understand, to remember, and to communicate to others. Garbled versions of a useful meme would presumably be selected out.

So, in theory at least, the ability to understand and communicate complex memes is a survival trait, and natural selection should favor those who aren't too conservative to understand new memes. Or does it? In practice, some people are going to be all too ready to commit any new meme that comes along, even if it should turn out to be deadly nonsense, like: "Jump off a cliff and the gods will make you fly."
 
Such memes do evolve, generated by crazy people, or through mis-replication. Notice, though, that this meme might have a lot of appeal. The idea of magical flight is so tantalizing -- maybe, if I truly believed, I just might leap off the cliff and...

Ai está um ponto vital: pessoas infectam umas as outras com memes  que elas  acham mais bonitinhos, independentemente de ser [consensualmente] real ou de seus objetivos. Fora que o hospedeiro pode nunca realmente correr riscos no processo; é capaz de passar o resto de sua vida infectando outras pessoas com o tal meme, induzindo incontáveis otários a um fim. Historicamente, esse tipo de coisa acontece todo o tempo. Agora, se "memes" podem ser considerados realmente "vivos" ou não é um tópico para debate, mas para nós é irrelevante: eles se comportam de forma semelhante a seres vivos, e a tal ponto que nos permite combinar as tecnicas analiticas de epidemologia, evolucionismo, imunologia, linguistica e semiotica, num sistema dinâmico conhecido como "Memética". Ao invez de debater a "verdade" inerente ou a falta dela numa ideia, a memética está mais preocupada em como essas ideias auto-replicam.

This is a vital point: people try to infect each other with those memes which they find most appealing, regardless of the memes' objective value or truth. Further, the carrier of the cliff-jumping meme might never actually take the plunge; they may spend the rest of their long lives infecting other people with the meme, inducing millions of gullible fools to leap to their deaths. Historically, this sort of thing is happening all the time.
Whether memes can be considered true "life forms" or not is a topic of some debate, but this is irrelevant: they behave in a way similar to life forms, allowing us to combine the analytical techniques of epidemiology, evolutionary science, immunology, linguistics, and semiotics, into an effective system known as "memetics." Rather than debate the inherent "truth" or lack of "truth" of an idea, memetics is largely concerned with how that idea gets itself replicated.

Memética é vital para a compreenção de cultos, ideologias e campanhas de marketing de todos os tipos. Além de ajudar a prover imunidade contra informações-contagiosas (memes) perigosas. Você deveria ter noção de que, por exemplo, você acabou de ser exposto a um Meta-Meme, um meme sobre memes...

The lexicon which follows is intended to provide a language for the analysis of memes, meme-complexes, and the social movements they spawn. O nome da pessoa que cunhou e definiu cada palavra aparece em parenteses, apesar de que algumas definições possam estar parafraseadas e alteradas.

23.9.09

Os Puladores  

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tradução da sara dum conto surreal:

A pulga, o gafanhoto e o bonito certa feita quiseram ver qual deles podia pular mais alto, e então eles convidaram o mundo inteiro – e qualquer outra pessoa que quisesse vir – para assistir a brincadeira. E os três puladores apropriados entraram juntos no salão.
“Bem, eu darei a minha filha para aquele que pular mais alto!”, disse o rei. “Porque é de pouco consolo que essas pessoas pulem por nada!”
A pulga deu um passo à frente primeiro. Ela tinha maneiras requintadas e se inclinou para todos os lados, porque sangue de solteirona corria nas suas veias e ela estava acostumada a se associar às pessoas. E isso, no fim das contas, significa um bocado.
O gafanhoto veio em seguida. Ele, é claro, era consideravelmente maior, mas ainda assim ele tinha modos razoavelmente bons. Ele estava vestindo um uniforme verde, com o qual havia nascido vestido. Além disso, esta pessoa ilustre disse que vinha de uma família antiga nas paragens do Egito, e que em sua terra natal tinham-no em muito alta estima. Ele havia sido tirado do campo e colocado numa casa de cartas de três andares – todas cartas com rostos, com os lados coloridos virados para dentro. A casa tinha tanto porta quanto janelas que haviam sido cortadas da cintura da Rainha de Copas.
“Eu canto tão bem”, ele disse, “que dezesseis grilos da região, que trinam desde que são pequeninos e ainda não receberam uma casa de cartas, ficaram tão contrariados que se tornaram ainda mais magros depois de me ouvir cantar.”
Ambos – a pulga e o gafanhoto – deram, assim, uma boa descrição de quem eram e de porque achavam que eles podiam mesmo casar com uma princesa.
O bonito nada disse, mas foi dito que ele se achava ainda mais; e o cão de caça da corte cheirou somente ele porque reconheceu que o bonito vinha de uma boa família. O velho conselheiro, que já tinha recebido três ordens pra calar a boca, sustentava que o bonito tinha o dom da profecia: podia-se dizer pelas suas costas se o inverno ia ser brando ou severo, e ninguém pode dizer isso nem com base nas costas do homem que escreve o Almanaque.
“Bem, eu não estou dizendo nada,” disse o velho rei, “mas eu sempre fui assim e guardei meus pensamentos pra mim!”
Agora o pululê ia começar. A pulga pulou tão alto que ninguém podia ve-la, e então consideraram que ela não tinha sequer pulado. E isso foi injusto.
O gafanhoto só pulou metade da altura que a pulga pulou, mas ele pousou bem na cara do rei, e então o rei disse que aquilo era revoltante!
O bonito ficou paradinho e meditou por um bom tempo. Por fim, pensaram que ele não podia pular de jeito nenhum.
“Se apenas ele não tivesse ficado indisposto!”, disse o cão de caça da corte, e depois cheirou-o novamente: SWOOOOOOOOOOOOOOOOOOSH! O bonito deu um pulo curto e vacilante direto pro colo da princesa, que estava sentada num banquinho de ouro baixo.
O rei disse “o pulo mais alto é pular para a minha filha, porque esse é o verdadeiro objetivo! Mas uma cabeça é necessária para acertar um tal alvo, e o bonito mostrou que tem uma cabeça. Ele tem pernas na sua testa!”
E assim ele ficou com a princesa.
“Apesar de tudo fui eu quem pulou mais alto!”, disse a pulga. “Mas não importa. Que ela tenha aquele troço de pernas-de-pau e cera! Eu pulei mais alto! Mas nesse mundo uma pessoa precisa ter um corpo se quer ser vista.”
E então a pulga foi pras guerras no estrangeiro, onde dizem que ela foi morta.
O gafanhoto sentou numa vala e ficou pensando nas coisas do mundo como elas realmente são. E então ele também disse “o que é necessário é um corpo! O que é necessário é um corpo!”
E então ele cantou sua própria canção melancólica, e foi daí que nós tiramos essa história. Mas podia muito bem ser uma mentira, mesmo que tenha aparecido impressa.
.
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(tradução livre de The Jumpers, do Hans Andersen)
(note-se que esse conto é Larista e Discordiano e Peixuxiano! \ö/ viva os bonitos e os atuns, principalmente!)

30.8.09

O mito dos Indras  

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Aconteceu, numa certa época, que um monstro gigantesco engoliu quase toda a água da terra, de modo que houve uma terrível seca e o mundo se viu em péssimas condições. Indra levou algum tempo até se dar conta de que possuía a solução, uma caixa de raios. E tudo o que tinha de fazer era lançar um deles sobre a criatura, matando-a. Quando ele fez isso, as águas jorraram e o mundo se refrescou. E Indra disse: "Que sujeito formidável eu sou!"

Assim, pensando no sujeito formidável que era, Indra se dirige à montanha cósmica, que é a montanha do centro do mundo, e decide construir um palácio à altura do seu valor. O melhor carpinteiro dos deuses põe-se a trabalhar e rapidamenteo palácio está erguido e em excelentes condições. Mas cada vez que vai inspecioná-lo, Indra tem idéias mais ambiciosas a respeito de quão esplêndido e grandioso o palácio deveria ser. Por fim o carpinteiro exclama: "Meu Deus, ambos somos imortais, e não há limites para os desejos dele. Estou preso por toda a eternidade!". Então decide dirigir-se a Brahma, o deus criador, para reclamar.

Brahma está sentado num lótus, o símbolo da divina energia e da divina graça. O lótus cresce no umbigo de Vishnu, o deus adormecido, cujo sonho é o universo. Assim, o carpinteiro se aproxima da borda da grande lagoa de lótus do universo e conta sua história a Brahma. Brahma diz: "Pode ir para casa, eu darei um jeito nisso". Brahma deixa seu lótus e se ajoelha para se dirigir ao adormecido Vishnu. Vishnu apenas esboça um gesto e diz qualquer coisa como: "Ouça, fuja, alguma coisa vai acontecer".

Na manhã seguinte, no portal do palácio que estava sendo construído, aparece um belo garoto negro-azulado, com um bando de crianças ao seu redor, admirando o esplendor da construção. O porteiro, que estava na entrada do novo palácio, corre até o Indra e este diz: "Bem, mande entrar o garoto". O garoto é levado até o Indra, e o deus-rei, sentado em seu trono, diz: "Seja bem-vindo, jovem. O que o traz ao meu palácio?"

"Bem", diz o garoto com uma voz que soa como um trovão rolando no horizonte, "ouvi dizer que você está construindo um palácio como nenhum Indra antes de você jamais construiu".

E Indra diz: "Indras antes de mim... de que você está falando?"

O garoto diz: "Indras antes de você. Eu os tenho visto vir e desaparecer. Pense nisto, Vishnu dorme no oceano cósmico, e o lótus do universo cresce em seu umbigo. No lótus se assenta Brahma, o criador. Brahma abre os olhos e um mundo se cria, governado por um Indra. Brahma fecha os olhos e um mundo desaparece. A vida de um Brahma conta quatrocentos e trinta e dois mil anos. Quando ele morre, o lótus se desfaz e outro lótus se forma, e outro Brahma. Agora pense nas galáxias para além das galáxias, no espaço infinito, cada qual com um lótus, com um Brahma sentado nele abrindo e fechando os olhos. E Indras? Deve haver homens avisados em sua corte que se prestariam a contar as gotas de água dos oceanos ou os grãos de areia nas praias, mas nenhum contaria aqueles Brahmas, muito menos aqueles Indras".

Enquanto o garoto fala, um exército de formigas desfila pelo chão. O garoto ri, ao vê-las; os cabelos de Indra ficam arrepiados, e ele pergunta ao garoto: "Por que você ri?"

O garoto responde: "Não pergunte, a menos que você queira ficar magoado".

Indra diz: "Eu pergunto, ensina-me". (Esta é, aliás, uma bela idéia oriental: não ensine, até ser instado a isso. Você não pode impor seu conhecimento goela abaixo das pessoas.)

Então o garoto aponta para as formigas e diz: "Todas antigos Indras. Através de muitas vidas, eles se elevam das mais baixas condições à mais alta iluminação. Aí eles lançam um raio sobre um monstro e pensam: 'Que sujeito formidável eu sou!' E voltam a despencar."

Enquanto o garoto fala, um velho yogi extravagante adentra o palácio, com uma folha de bananeira servindo como pára-sol. Ele veste apenas uma tanga, e tem no peito um chumaço de cabelos formando um disco, no centro do qual metade dos pelos foram arrancados.

O garoto o saúda e pergunta-lhe exatamente o que o Indra ia perguntar: "Bom velho, qual é o seu nome? De onde você vem? Onde está sua família? Onde está sua casa? E qual o significado dessa curiosa constelação de cabelos em seu peito?"

"Bem", disse o velho, "meu nome é Cabeludo. Eu não tenho casa, a vida é muito curta para isso. Só tenho este pára-sol. Não tenho família. Apenas medito nos pés de Vishnu e penso na eternidade, e em quão fugaz é o tempo. Você sabe, toda vez que morre um Indra um mundo desaparece - coisas assim somem como uma faísca. Cada vez que morre um Indra cai um fio de cabelo desse círculo em meu peito. Até agora, metade dos cabelos já se foram. Muito breve, todos terão ido. A vida é curta. Por que construir uma casa?"

Então os dois desapareceram. O garoto era Vishnu, o Senhor Protetor, e o velho yogi era Shiva, o criador e destruidor do mundo, que tinha vindo exatamente para a instrução de Indra, que é simplesmente um deus da história que pensa que é o espetáculo todo.

Indra continua sentado no trono, completamente desiludido, completamente abatido. Aí chama o carpinteiro e diz: "Estou suspendendo a construção do palácio. Você está dispensado". Assim o carpinteiro conseguiu seu intento. É dispensado do trabalho e não há mais nenhuma casa a construir.

Indra decide se tornar um yogi, para apenas meditar aos pés do lótus de Vishnu. Mas ele tem uma bela rainha chamada Indrani. E quando Indrani ouve falar no plano de Indra, dirige-se ao sacerdote dos deuses e diz: "Agora ele pôs na cabeça essa idéia de largar tudo para se tornar um yogi".

"Bem", diz o sacerdote, "Venha comigo minha senhora e eu darei um jeito nisso".

Então eles se sentam diante do trono do rei e o sacerdote diz: "Pois bem, eu escrevi um livro para você muitos anos atrás sobre a arte da política. Você ocupa a posição de rei dos deuses. Você é a manifestação do mistério de Brahma na esfera do tempo. Isso é um alto privilégio. Saiba apreciá-lo, honrá-lo e lide com a vida sendo quem você realmente é. Além disso, vou agora escrever um livro sobre a arte do amor, assim você e sua esposa saberão que, no maravilhoso mistério dos dois que são um, Brahma também está radiantemente presente".

E com estas instruções Indra desiste da idéia de largar tudo para se tornar um yogi, e descobre que, na vida, ele pode representar o eterno como símbolo, pode-se dizer de Brahma.

Assim, cada um de nós é, de certo modo, o Indra de sua própria vida. Você pode escolher, ou se livrar de tudo e se isolar na floresta para meditar, ou permancer no mundo, tanto na vida de sua tarefa, que é a régia tarefa da política e da realização, quanto na vida do amor por sua mulher e família. Bem, esse é um mito muito atraente, assim me parece...

Entrevista de Joseph Campbell a Bill Moyers, transcrita no livro "O Poder do Mito".

29.8.09

Esqueci de contar,  

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semana retrasada, dia 10/8 (dia 3 de burocracia)
o PARRACHIA (ex ***********) fez um ano!
parabéns para ele!

18.8.09

Aforismo 00009  

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"O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."
(Aristóteles)

"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute."
(Sabedoria oriental)

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete."
(Aristóteles)

"O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa."
(Platão)

"O Sábio cala ... a verdade por si fala"
(Ponto de Equilíbrio)

"As palavras não representam a coisa em si. Elas inicialmente eram metáforas para tentar comunicar ou indicar algo. Com a evolução da linguagem e sua crescente complexidade, foram criadas metáforas sobre metáforas, ficando cada vez mais abstratas até o ponto em que sua origem, a expressão da coisa em si, se perdeu completamente. Digamos que palavras são como o NX Zero, a cópia da cópia de recópia da tricópia." Timóteo Pinto


17.8.09

GLOSSARY OF TERMS RELATING TO DISCORDIANISM  

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By Chaplin Sinatra Fonzarelli
DISCORDIANISM: Like Wicca, it started off as a religion for pot-smoking hippie bums who wanted to pass off their bullshit as a philosophical statement. The key difference was it was full of jokes plagiarized from the Marx brothers. Somewhere along the line, like many obscure things that deserved to stay obscure, it got co-opted by sweaty, anime-downloading computer nerds and has become some stupid inside joke on message boards full of assholes, giving it as much meaning and significance as All Your Base Are Belong To Us.
THE CHURCH OF THE SUBGENIUS: Discordians who get bored of saying "Fnord" and "Hail Eris" and wanted to make up new nonsense phrases and pretend like saying them while giggling was a constructive act of activism.
THE PRINCIPIA DISCORDIA: Between "My First ABCs" and "The Essential Guide to Star Wars Ships" in terms of literary importance
THE BOOK OF THE SUBGENIUS: Like the Principia Discordia, only 100 pages longer, and it costs 20 bucks instead of being able to find it on Google.
THE ILLUMINATUS TRILOGY: A plagiarism of Joyce's work filled with nerdy pop culture references and pretentious rantng.
SCHRÖDINGER'S CAT: A plagiarism of Vonnegut's work filled with nerdy pop culture references and pretentious ranting.
ROBERT ANTON WILSON: A man who has accumulated a small fortune selling plagiarisms of Joyce and Vonnegut filled with nerdy pop culture references with pretentious ranting.
MALACLYPSE THE YOUNGER: Some "wacky" nom de plume of a man who probably wrote The Principia Discordia in a stained tie-dye T-shirt on a bongwater-stained couch while listening to a highly worn LP of Freak Out!, The White Album, or The Piper at the Gates of Dawn. Wasn't smart enough to copyright his work so probably died alone and penniless on a gutter while clenching a Coke bottle pipe filled with schwag, while his buddy Robert Anton Wilson eats steak for dinner in his dining room.
KERRY THORNLEY/LORD OMAR/A BILLION OTHER STUPID PSEUDONYMS: Wrote ten crazy Xeroxed rants about Libertarianism and thought his friends were agents of the Illuminati, now posthumously considered a genius.
STEVE JACKSON: The poster boy for the official point of transformation of the vast majority (ie: 40) of Discordians changing from hippie slackers to D&D nerds who wish they could have been alive to be hippie slackers like their parents.
FNORD: A word invented to be used in the boring, pointless signatures, "hilarious" spam, and half-hearted graffiti of Discordians. Might have been a slightly funny inside joke between RAW, Thornley, and Malaclypse, but the Internet beat it into the ground like it does everything
23: The fact that that number can sometimes be seen somewhere is proof of an elaborate evil conspiracy/magical cosmic force that protects and strengthens all Discordians
THE BAVARIAN ILLUMINATI: The 19th century version of the Discordians. IE: They had great ideas but we're too lazy and fuckwitted and unorganized to get anything done so instead they just made a bunch of bullshit. So obviously the Discordian society idolizes them.
THE POEE: 12 members strong.
THE DISCORDIAN SOCIETY: 18 members strong.
WWW.PRINCIPIADISCORDIA.COM: An expensive domain name that somebody pays for solely to host a 60-page book that can be found for a yardsale at 25 cents, or in it's entirity on the first 13 pages of a Google search. In other word, a nerd who felt the obligation to make a site that wasn't about what bands they like or how similar to Hitler Bush is.
ERISIANS: Discordians who insist on being called something else to be difficult
ERIS/DISCORDIA: There is a disagreement among Discordians and Erisians as to her nature. Discordians think she's a cartoon character with magic powers who help them out and who they fantasize to while masturbating, (that is, when they're too lazy to open up their porn folder or turn to the Dryad page of the D&D Monster Manual) Erisians think the same thing although they sprinkle it with some Taoist metaphysical stuff.
OPERATION MINDFUCK: A way to make the world a better place that apparently involves trolling conservative communities, writing notes on bathroom walls, making up little pieces of paper that say "LOL U R TEH POPE" and being too afraid to hand them out to people, and contemplating all of these brilliant ideas on a message board and being too lazy to do any of them.
JAKE: Like a mindfuck except more childish, if that's possible
WWW.POEE.CO.UK: A website with a professional-looking appearance and informative content. This makes it’s owner Syntapgjax, a Fake Discordian, since obviously the definition of "Discordian" is "someone who can't get their shit together"
FAKE DISCORDIAN: A term thrown around a lot for practitioners of a religion that embraces ontological freedom and equality. It's actually a redundant term.
"WE DISCORDIANS MUST STICK APART": An excuse for not having your shit together
CHAOS MAGIC: If Wicca is people who need an authority figure to give their minds permission to use magic adopting books form Barnes and Noble as such, than Chaos Magic is the same, only with Google and Alice in Wonderland.
ZENARCHY: A term used by Discordians who have to pretend they're too enlightened to use terms like "Anarchist" to describe their political belief, so they use a term that sounds deep but is actually an unfunny portmanteau, like "Zenarchist" so they can pretend they're too cool for politics.
THE LAW OF FIVES: An important lesson in epistemological relativism becomes an inside joke among people who make stupid polls on the Internet to waste their lives away
COPYRITE/KOPYRIGHT/KOPYRITE/COPYLEFT/KOPYLEFT: A term that’s obviously Discordian because of the lame pun. Spawned Wikipedia, which is what sexless nerds use as an authoritative source of knowledge, in the same way imperialist intellectual elitists used the Britannica.
DISCORDIAN SAINT: Someone who the government hasn't forced to take their meds yet
THE PRINCIPIA DISCORDIA.COM FORUMS: Where you can read jokers bickering like the cast of MASH towards the end of the show and pretending that they're better than 95 percent of DeadJournal users somehow. Also full of long, drawn out, pointless rants that just reiterate the same uninsightful points. Discordians are nerds who don't have enough sex.

11.8.09

TERRORISMO POÉTICO  

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Capítulo de "Caos, os Panfletos do Anarquismo Ontológico" (parte um de "Z. A. T."),

de Hakim Bey

ESTRANHAS DANÇAS NOS SAGUÕES de Bancos 24 Horas. Shows pirotécnicos não autorizados. Arte terrestre, trabalhos- telúricos como bizarros artefatos alienígenas espalhados em Parques Nacionais. Arrombe casas mas, ao invés de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Rapte alguém e faça-o feliz. Escolha alguém aleatoriamente e convença-o de que ele é herdeiro de uma enorme, fantástica e inútil fortuna: digamos 8000 quilômetros quadrados da Antártida, ou um velho elefante de circo, ou um orfanato em Bombaí, ou uma coleção de manuscritos alquímicos. Mais tarde, ele irá dar-se conta de que acreditou por alguns poucos momentos em algo extraordinário, & talvez, como resultado, seja levado a buscar uma forma mais intensa de viver.

Pregue placas comemorativas de latão em locais (públicos ou privados) onde experimentaste uma revelação ou tiveste uma experiência sexual particularmente especial, etc.

Ande nu por aí.

Organize uma greve em sua escola ou local de trabalho, com a justificativa de que não estão sendo satisfeitas suas necessidades de indolência & beleza espiritual.

A Arte do grafitti emprestou alguma graça à metrôs horrendos & rígidos monumentos públicos. A arte Poético-Terrorista também pode ser criada para locais públicos: poemas rabiscados em banheiros de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte xerocada distribuída sob limpadores de pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes grudados em muros de playgrounds, cartas anônimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...

A reação da audiência ou o choque estético produzidopelo Terrorismo Poético deve ser pelo menos tão forte quanto a emoção do terror: nojo poderoso, excitação sexual, admiração supersticiosa, inspiração intuitiva repentina, angústia dadaísta - não importa se o Terrorismo Poético é direcionado a uma ou a várias pessoas, não importa se é "assinado" ou anônimo; se ele não muda a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.

O Terrorismo Poético é um ato em um Teatro de Crueldade que não tem palco, nem assentos, ingressos ou paredes. Para funcionar, o TP deve ser categoricamente divorciado de todas as estruturas convencionais de consumo de arte (galerias, publicações, mídia). Mesmo as táticas guerrilheiras Situacionistas de teatro de rua já estão muito bem conhecidas e esperadas, atualmente.

Uma requintada sedução levada adiante não apenas pela satisfação mútua, mas também como um ato consciente por uma vida deliberademente mais bela: este pode ser o Terrorismo Poético definitivo. O Terrorista Poético comporta-se como um aproveitador barato cuja meta não é dinheiro, mas MUDANÇA.

Não faça TP para outros artistas, faça-o para pessoas que não perceberão (pelo menos por alguns momentos) que o que acabaste de fazer é arte. Evite categorias artísticas reconhecidas, evite a política, não fique por perto para discutir, não seja sentimental; seja impiedoso, corra riscos, vandalize apenas o que precisa ser desfigurado, faça algo que as crianças lembrarão pelo resto da vida - mas só seja espontâneo quando a Musa do TP tenha te possuído.

Fantasia-te. Deixa um nome falso. Seja lendário. O melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte

4.8.09

5,23 experimentos da psicologia... experimental  

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Experimentos replicáveis e reveladores que mostraram aspectos interessantes e concretos da mente humana.



Você já viu esse simbolo antes?


Alguns desses experimentos abriram caminhos para novas explorações da mente humana, outros por si só fornecem um conhecimento valiosíssimo. Nas chamadas ciências humanas experimentos são um artigo raro que merecem ser valorizados. Vejamos alguns dos mais importantes:



#1
O Senhor das Moscas: Teoria da Identidade Social


O experimento proposto por Robbers Cave é um clássico da psicologia social e foi conduzido inicialmente com dois grupos compostos por meninos de 11 anos no parque estadual de Oklahoma para quem eram dadas tarefas a cumprir. Ele demonstrou quão facilmente se forma a identidade de um grupo fechado e quão rapidamente este grupo desenvolve preconceitos e antagonismos com quem é de fora.

O pesquisador Muzafer Sherif conduziu uma série de 3 experimentos. No primeiro os grupos se reúnem para combater um inimigo em comum. No segundo os grupos se uniram contra os pesquisadores! No terceiro foi fácil para os pesquisadores fazer os grupos se voltarem uns contra os outros.

Lição: Grupos fechados tendem ao antagonismo


#2
Experimento da prisão de Stanford: O Poder Corrompe

Este infame experimento para explorar as raízes da maldade na mente humana acabou afetando tanto seus pesquisadores como seus pesquisados. O Psiscólogo Philip Zimbardo dividio os participantes em dois grupos rotulados 'prisioneiros' e 'guardas'. Eles foram conduzidos a uma réplica de prisão na universidade de Stanford. Os prisioneiros foram sujeitos a prisão, revista de pertences, desapropriação de bens, raspagem de cabelo e outros abusos. Os guardas foram levados a algo próximo a um clube de campo.

Os prisioneiros se rebelaram no segundo dia e a reação dos guardas foi brusca e brutal. Em pouco tempos os prisioneiros estavam submissos em obediência cega, enquanto os guardas abraçaram seus papéis se impondo e abusando da autoridade. Este experimento é a comprovação científica de que a autoridade tende a perversão. O experimento planejado para 14 dias foi encerrado em 6 dias devido ao crescente nível de abusos


Lição: O poder corrompe.



#3
Sindrome de Nuremberg: A capacidade humana para a crueldade


Em 1963 o psicólogo Stanley Milgram desenvolveu um teste para medir a propensão das pessoas a obedecer uma autoridade quando ordenados a ferir outra pessoa. O mundo ainda tentava entender o horror que havia acontecido na Alemanha durante a segunda guerra.

As cobaias foram separadas em 'Professores' e 'Alunos'. Os professores fora instruídos a dar um pequeno choque elétrico nos alunos a cada resposta errada. E a cada resposta errada o choque deveria ter a intensidade aumentada. Independente dos gritos e contorções dos alunos (que eram na verdade atores contratados), os professores continuavam a aplicar choques cada vez mais severos, enquanto o instrutor do experimento continuasse ordenando. Os 'professores' continuavam a tortura mesmo após os alunos simularem a inconsciência!


Lição: A moral é posta de lado frente a uma autoridade.



#4
Memória Seletiva: Você realmente sabe o que viu?


Em 1974 pesquisadores criaram um experimento capaz de testar a facticidade da memória, e se ela pode ou não se manipulada. 45 pessoas assistiram um filme de um acidente de trânsito. Nove destas pessoas foram questionadas s quão rápido o carro corria ao bater. Quatro outras pessoas receberam a mesma pergunta só que em vez da palavra 'bater' os termos, 'esmagou', 'colidiu', 'tocou'

Aqueles que foram perguntados com a palavra esmagou estimaram que o carro ia a 10mph mais rápido do que os que ouviram a palavra 'tocou'. Uma semana depois os participantes foram questionados sobre os vidros quebrados (indicativo de acidente sério), e aqueles a quem palavras fortes firam usadas relataram janelas estourando, embora não houvesse vidros no filme. Uma simples escolha de palavras pode manipular a memória de longo prazo.

Lição: A Memória pode ser mudada.


#5
Cultura do Pânico: Guerra dos Mundos

Calcula-se que a adaptação de Orson Wells do livro "Guerra dos Mundos" de H.G. Wells feita via rádio em 1938, causou pânico em aproximadamente 3 milhões dos 6 milhões de ouvintes. Psicólogos de Princeton posteriormente entrevistaram 135 residentes de New Jersey sobre suas reações.

Um número surpreendente de pessoas não se preocupou nem por um instante em checar a validade das informações e mutos dos indivíduos de educação superior acreditaram que tratava-se de fatos simplesmente porque a rádio era uma "autoridade". É confortável pensar que hoje em dia somos menos ingênuos, mas isso não é verdade, a manipulação midiática de nossas emoções e desejos é uma forma de arte atualmente.


Lição: Autoridades nunca estão erradas


#5,23
Comportamento de Risco: Perder ou não ganhar?


Falando em economia, o pesquisadores Daniel Kahneman e Amos Tversky estudaram o processo de tomada de decisões em situações de risco e desenvolveram uma teoria sobre isso que lhes valeu o prêmio Nobel pois desde então tem sido usada para planejamentos econômicos governamentais e influenciado campanhas de marketing ao redor do mundo.

Basicamente trata-se de como problema é apresentado. Pessoas se comportarão diferentemente dependendo de como a situação de risco é apresentada. Se considerados em termos de perdas, as pessoas aceitarão correr mais riscos. Elas no entanto evitarão correr correr riscos em situações que forem apresentadas em termos do que elas deixarão de ganhar. Parece uma afirmação que vai contra o senso comum, mas tenha em mente isso da próxima vez que estiver em uma mesa de poker.


Lição: Não ganhar é pior do que perder


Adaptado do pica das galáxias, o Morte Súbita.


29.7.09

Tributo à Deusa(s)  

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18.7.09

o fruto proibido de 16gb  

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Certa vez Nietzsche, esse profeta do amanhã, afirmou: "Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você." Mais tarde Jung mostraria que tudo aquilo que é reprimido e combatido acaba se fortalecendo na psique. Assim pessoas muito mansas acabam explodindo de raiva e pessoas que se submetem a dietas atacam a geladeira uma hora ou outra. Castos irão enxergar sexo em toda parte. E fanáticos verão pecados em tudo.

Esse é um fenômeno global, mas nacionalmente os neo-pentecostais de plantão costumam receber o título de paranóicos e parecem estar muito confortáveis com isso. Deixemos um deles falar por si só. Com a palavra o pastor Silas Adoniran Fonseca, que viu na marca Apple a sombra do diabo:

"Lucas colecionava dívidas e mais dívidas, sendo necessário ajudá-lo financeiramente todos os meses" (...) "Apesar das dívidas, Lucas sempre andava bem vestido e com todos os aparelhos eletrônicos da moda. Qual era então a explicação para tamanho infortúnio?"(...) Ele havia acabado de comprar um celular novo há coisa de dois, três meses (...) Constatei que era da marca “Apple”.

"Foi então que tudo começou a ficar mais claro para nós. A maçã, como bem sabem, foi o fruto do pecado original. (...) O fato de um pedaço estar faltando é evidência irrefutável que trata-se de uma referência ao pecado original. Assim, ao comprar um produto dessa empresa, é como se o comprador estivesse cometendo o mesmo pecado de Adão e Eva, ofendendo o Senhor Jesus Cristo, distanciando-se do paraíso e resignando-se a uma vida de eterno sofrimento."

Abismado? Avançando no seu raciocínio o pastor conclui ainda que iPods, iPhones, iMacs, carregam a letra ‘i’, por serem abreviatura de Inferno. Um gracejo que faria LaVey sorrir uma vez que obviamente i em inglês quer dizer também "Eu".

Mas para não nos acusarem de tirar as palavras de contexto segue o link original do testemunho: http://igrejainternacional.wordpress.com/2009/06/12/a-maca.

Sempre preocupados com o bem estar da população, Morte Súbita Inc. criou um serviço para aquelas pessoas que não desejem arder no inferno. Se este for o seu caso entre em contato com nossa central de descartes para receber instruções relativas a doações destes artefatos do mal.

12.7.09

Somos Todos Sarneys  

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Vou de metrô para o trabalho todos os dias. Não tenho carro e nem quero ter.

Quando chove é uma porcaria, mas em todos os outros dias tenho a oportunidade de observar o comportamento de todo o tipo de pessoa.

Nesta semana me deparei com um problema que, a julgar pela quantidade de vezes que se repete, deveria ser controlado pelo exército ou pela NASA: ceder o lugar reservado a idosos, portadores de deficiências ou gestantes.

Tem um adesivo colado no vidro, de quando em vez a voz do metrô nos lembra dos assentos especiais, ou seja, sendo cego ou surdo não tem desculpa de não saber da existência de tais assentos preferenciais. Aliás, se você for cego ou surdo muito provavelmente estará sentado por lá.

Ocorre que a viagem corria tranqüila (se é que superlotação pode ser colocada no rol de situação tranqüila) quando de repente um bate boca começa. De um lado um senhor de idade, em pé, reclamando. De outro, várias pessoas sentadas nas tais cadeiras preferenciais, dentre as quais uma ou duas pessoas jovens.

Nada de novo. Isto sempre ocorre. Uma ou outra pessoa se levanta e cede o lugar depois da bronca. No entanto a maioria finge que não é com ela e segue sua viagem normalmente.

Foi o caso deste relato, em específico. Os dois jovens nem se mexeram. Quem bateu boca com o senhor de idade foi uma mulher que defendia o fato de as pessoas terem o direito de se sentarem mesmo que aquele local seja preferencial a alguma parcela da população, seja grávida ou idosa.

Nesse momento me peguei com o seguinte pensamento: como podemos querer que o Brasil seja mais democrático, seja mais justo, dê mais oportunidades para todos? Como cobrar das autoridades impostos justos e serviços condizentes com as necessidades da população? Como querer ter nosso direito garantido, segurança ao sair na rua, tranqüilidade para ir e vir? Como exigir que o Sarney seja honesto e trabalhe para o povo? Como exigir que ele não contrate a neta aspirante a modelo para um cargo comissionado no Senado? Como se indignar ao saber que funcionários pagos com o nosso dinheiro estão trabalhando no Maranhão, em fazendas do Sarney?

Como querer e exigir tudo isso se não damos lugar aos mais velhos no metrô, independentemente se há placa ou lei ou bronca que nos force a esse ato espontâneo?

Temos todos o terrível hábito de apontar os defeitos e falhas dos outros sem olhar para a flunfa do próprio umbigo. Devemos sim exigir dos governantes, ladrões, safados, mulherengos ou sérios que cumpram com seu dever. Mas nunca seremos uma nação melhor se nós não mudarmos nossos hábitos mais pessoais. Se não praticarmos o respeito com o outro de forma verdadeira.

Amanhã tomo o metrô rumo ao trabalho novamente. Não há a menor possibilidade de me encontrar com o Sarney dentro de qualquer vagão. Mas se eu não me levantar para ele se sentar (sim, ele tem 71 anos) estarei cometendo igualmente os mesmos deslizes que ele.

Senta Sarney, senta.



copiado e colado daqui

12.3.09

Caótico Calendário CacoParrachia Erisiano Terrorista Poético  

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conversor de datas de calendario gregoriano-erisiano, dias da semana para 2009/3175 e marcação de datas especiais baseado no calendário Anno Caos!

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