25.3.10
Medo do Medo do Medo.
categorias ação, poesia experimental acidental, Terrorismo Poético e outras Radicalidades 0 x23 comentáriosProvisoriamente
não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo,
que esteriliza os abraços,
que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo,
nosso pai e nosso companheiro,
nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas,
o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte
e o medo de depois da morte,
e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo.
E sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade

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