25.3.10

Medo do Medo do Medo.  

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Provisoriamente 
não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo,
que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo,
nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, 
o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte 
e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo.
E sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade


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