27.12.09

Isaac Asimov - Pense  

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Genevieve Renshaw, Doutora em Medicina, tinha as mãos enfiadas nos bolsos do seu jaleco de laboratório. O contorno dos punhos cerrados lá dentro aparecia claramente, mas falava num tom calmo:

- O fato – dizia ela – é que estou quase pronta, mas vou precisar de ajuda para continuar tocando a coisa pelo tempo necessário para ficar pronta.

James Berkowitz, um físico que tendia a proteger meras médicas, quando eram atraentes demais para serem desprezadas, tinha o hábito de chamá-la Jenny Wren*, sempre que ninguém o estava ouvindo. Gostava de dizer que Jenny Wren possuía um perfil clássico e sobrancelhas surpreendentemente suaves, e, no íntimo, considerava que atrás delas se adensava um cérebro dos mais aguçados. Seria a melhor forma para expressar sua admiração – do perfil clássico – sem cair num chauvinismo masculino. Sem dúvida, admirar o cérebro era preferível, mas, em geral, evitava fazê-lo em voz alta na presença dela.

- Não acho que o escritório central vá ter paciência por muito mais tempo – disse ele, com o polegar raspando o queixo com barba por fazer. – A impressão que tenho é que vão encostá-la na parede antes do fim da semana.

- É por isso que preciso da sua ajuda.

- Receio que não haja nada que eu possa fazer.

Ele pegou um inesperado reflexo de seu próprio rosto no

* Alusão às enfermeiras que fazem parte do Women “s Royal Naval Service. (N.R.)


26.12.09

Alan Watts is God for 10 Minutes  

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17.12.09

Isaac Asimov – A Última Pergunta  

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exelente conto retirado daqui.


ReachForTheStarsA última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares movida a álcool, e aconteceu da seguinte forma…

Alexander Adell e Bertram Lupov eram dois dos fiéis assistentes de Multivac. Eles conheciam melhor do que qualquer outro ser humano o que se passava por trás das milhas e milhas da carcaça luminosa, fria e ruidosa daquele gigantesco computador. Ainda assim, os dois homens tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos que há muito haviam crescido além do ponto em que um humano solitário poderia sequer tentar entender.

Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois nenhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superficialmente, mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as necessidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram fornecidas. Os dois, assim como seus colegas, certamente tinham todo o direito de compartilhar da glória que era Multivac.

Por décadas, Multivac ajudou a projetar as naves e enredar as trajetórias que permitiram ao homem chegar à Lua, Marte e Vênus, mas para além destes planetas, os parcos recursos da Terra não foram capazes de sustentar a exploração. Fazia-se necessária uma quantidade de energia grande demais para as longas viagens. A Terra explorava suas reservas de carvão e urânio com eficiência crescente, mas havia um limite para a quantidade de ambos.

No entanto, lentamente Multivac acumulou conhecimento suficiente para responder questões mais profundas com maior fundamentação, e em 14 de maio de 2061, o que não passava de teoria tornou-se real.

A energia do sol foi capturada, convertida e utilizada diretamente em escala planetária. Toda a Terra paralisou suas usinas de carvão e fissões de urânio, girando a alavanca que conectou o planeta inteiro a uma pequena estação, de uma milha de diâmetro, orbitando a Terra à metade da distância da Lua. O mundo passou a correr através de feixes invisíveis de energia solar.

Sete dias não foram o suficiente para diminuir a glória do feito e Adell e Lupov finalmente conseguiram escapar das funções públicas e encontrar-se em segredo onde ninguém pensaria em procurá-los, nas câmaras desertas subterrâneas onde se encontravam as porções do esplendoroso corpo enterrado de Multivac. Subutilizado, descansando e processando informações com estalos preguiçosos, Multivac também havia recebido férias, e os dois apreciavam isso. A princípio, eles não tinham a intenção de incomodá-lo.

Haviam trazido uma garrafa consigo e a única preocupação de ambos era relaxar na companhia do outro e da bebida.

“É incrível quando você pára pra pensar…,” disse Adell. Seu rosto largo guardava as linhas da idade e ele agitava o seu drink vagarosamente, enquanto observava os cubos de gelo nadando desengonçados. “Toda a energia que for necessária, de graça, completamente de graça! Energia suficiente, se nós quiséssemos, para derreter toda a Terra em uma grande gota de ferro líquido, e ainda assim não sentiríamos falta da energia utilizada no processo. Toda a energia que nós poderíamos um dia precisar, para sempre e eternamente.”

Lupov movimentou a cabeça para os lados. Ele costumava fazer isso quando queria contrariar, e agora ele queria, em parte porque havia tido de carregar o gelo e os utensílios. “Eternamente não,” ele disse.

“Ah, diabos, quase eternamente. Até o sol se apagar, Bert.”

“Isso não é eternamente.”

“Está bem. Bilhões e bilhões de anos. Dez bilhões, talvez. Está satisfeito?”

Lupov passou os dedos por entre seus finos fios de cabelo como que para se assegurar de que o problema ainda não estava acabado e tomou um gole gentil da sua bebida.

“Dez bilhões de anos não é a eternidade”

“Bom, vai durar pelo nosso tempo, não vai?”

“O carvão e o urânio também iriam.”

“Está certo, mas agora nós podemos ligar cada nave individual na Estação Solar, e elas podem ir a Plutão e voltar um milhão de vezes sem nunca nos preocuparmos com o combustível. Você não conseguiria fazer isso com carvão e urânio. Se não acredita em mim, pergunte ao Multivac.”

“Não preciso perguntar a Multivac. Eu sei disso.”

“Então trate de parar de diminuir o que Multivac fez por nós,” disse Adell nervosamente, “Ele fez tudo certo”.

“E quem disse que não fez? O que estou dizendo é que o sol não vai durar para sempre. Isso é tudo que estou dizendo. Nós estamos seguros por dez bilhões de anos, mas e depois?” Lupov apontou um dedo levemente trêmulo para o companheiro. “E não venha me dizer que nós iremos trocar de sol.

Alan Watts  

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http://innova7ion.com/images/Alan%20Watts-low.jpg

"Nunca, de forma alguma, somos capazes de examinar, de fazer de objeto nossa própria mente, assim como não conseguimos olhar diretamente para os próprios olhos e não conseguimos morder os próprios dentes. Porque nós SOMOS nossos dentes, nossos olhos e nossa mente. Mas se mesmo assim se você tenta esse tipo de coisa com ela, ora, isso é uma terrivel falta de compreenção e confiança. Isso mostra que você não compreende de fato seu 'isso', e se você é 'isso', nada precisa fazer em relação a isso. Não há nada para se procurar. E o teste é: mesmo assim você está procurando algo?"







"...Assim, perdemos o ponto da questão,
o qual é dançar."

 



"Perceba como você é a folha e o vento."





R.U.A.  

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http://4.bp.blogspot.com/_oXbt-ROvmE4/STqK2_Zg5-I/AAAAAAAAD1s/THSpcAM2p9Q/s400/roendo-unhas.jpg
Quando há energia demais e você não sabe o que fazer com ela, é comum começar a roer as unhas ou fumar. As pessoas fazem qualquer coisa para se manterem ocupadas — é difícil aguentar a energia parada.

Quando alguém critica esse comportamento, alegando que é "nervosismo", você se sente reprimido. É como se não tivesse liberdade nem para roer as próprias unhas!

As pessoas acabam encontrando formas mais inofensivas de liberar essa energia, como mascar chiclete ou morder a caneta.

Essas são formas muito sutis, ninguém vai reclamar. Se você fumar um cigarro, quase ninguém vai reclamar, mas roer as unhas, que não faz mal algum, parece deselegante e infantil, e você tenta evitar.

Você tem que aprender a viver da forma mais energética, só isso, e todas essas manias desaparecerão. Dance mais, cante mais, nade mais e faça longas caminhadas. Use sua energia de maneira criativa e viva a vida de forma mais intensa. Saia do mínimo e vá para o máximo.

Se estiver fazendo amor, faça-o de forma selvagem, e não com "elegância", pois isso significaria não viver de fato, apenas fazer de conta que está vivendo. Você já não é mais uma criança, então pode fazer o que quiser em sua própria casa. Pule, cante e corra.

Faça isso durante algumas semanas. Você irá parar de roer as unhas sem nem mesmo perceber, pois agora você tem coisas muito mais interessantes para fazer — quem se preocupa com as unhas?

Mas fique atento às causas e não se preocupe demais com os sintomas.



6.12.09

.transformando ADS em ARTE.  

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AddArt é uma extensão para FIREFOX que, ao invés de simplesmente bloquear propaganda [ADS], a subtitui por Arte.

[todos odiamos os ads idiotas e invasores da internet. não?]
[invasores? é, já reparou como são incrivelmente direcionados as vezes?? principalmente o do mestre google. tenho medo dessas coisas.. pelo menos com essa extensão posso me enganar que os ads sumiram e que o google não tem um banco de dados com informaçoes sobre meu IP]

(:

https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/addon/6846


:::

ACHEI AQUI: http://hackreal.blogspot.com/

5.12.09

Koan da bicicleta  

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Um mestre Zen viu cinco dos seus discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas.
Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes:
“Por que vocês andam com suas bicicletas?”

O primeiro discípulo disse: “A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata.
Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!” 

O mestre elogiou:
“Você é um rapaz muito inteligente!
Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.”


O segundo discípulo disse:
“Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!” 
O mestre elogiou:
“Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.”

O terceiro discípulo disse:
“Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz e cheio de "mio rengue quio” (energia). 
O mestre louvou:
“Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.”

O quarto discípulo falou:
“Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sencientes.” 
O mestre ficou feliz e disse:
“Você pedala no caminho dourado da bondade.”

O quinto aluno disse: 
“Eu pedalo minha bicicleta por pedalar”. 
O mestre sentou-se aos pés dele: 
“Sou seu discípulo.”


retirado do zen budo o qual retirou do bossa zen.

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