23.9.09

Os Puladores  

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tradução da sara dum conto surreal:

A pulga, o gafanhoto e o bonito certa feita quiseram ver qual deles podia pular mais alto, e então eles convidaram o mundo inteiro – e qualquer outra pessoa que quisesse vir – para assistir a brincadeira. E os três puladores apropriados entraram juntos no salão.
“Bem, eu darei a minha filha para aquele que pular mais alto!”, disse o rei. “Porque é de pouco consolo que essas pessoas pulem por nada!”
A pulga deu um passo à frente primeiro. Ela tinha maneiras requintadas e se inclinou para todos os lados, porque sangue de solteirona corria nas suas veias e ela estava acostumada a se associar às pessoas. E isso, no fim das contas, significa um bocado.
O gafanhoto veio em seguida. Ele, é claro, era consideravelmente maior, mas ainda assim ele tinha modos razoavelmente bons. Ele estava vestindo um uniforme verde, com o qual havia nascido vestido. Além disso, esta pessoa ilustre disse que vinha de uma família antiga nas paragens do Egito, e que em sua terra natal tinham-no em muito alta estima. Ele havia sido tirado do campo e colocado numa casa de cartas de três andares – todas cartas com rostos, com os lados coloridos virados para dentro. A casa tinha tanto porta quanto janelas que haviam sido cortadas da cintura da Rainha de Copas.
“Eu canto tão bem”, ele disse, “que dezesseis grilos da região, que trinam desde que são pequeninos e ainda não receberam uma casa de cartas, ficaram tão contrariados que se tornaram ainda mais magros depois de me ouvir cantar.”
Ambos – a pulga e o gafanhoto – deram, assim, uma boa descrição de quem eram e de porque achavam que eles podiam mesmo casar com uma princesa.
O bonito nada disse, mas foi dito que ele se achava ainda mais; e o cão de caça da corte cheirou somente ele porque reconheceu que o bonito vinha de uma boa família. O velho conselheiro, que já tinha recebido três ordens pra calar a boca, sustentava que o bonito tinha o dom da profecia: podia-se dizer pelas suas costas se o inverno ia ser brando ou severo, e ninguém pode dizer isso nem com base nas costas do homem que escreve o Almanaque.
“Bem, eu não estou dizendo nada,” disse o velho rei, “mas eu sempre fui assim e guardei meus pensamentos pra mim!”
Agora o pululê ia começar. A pulga pulou tão alto que ninguém podia ve-la, e então consideraram que ela não tinha sequer pulado. E isso foi injusto.
O gafanhoto só pulou metade da altura que a pulga pulou, mas ele pousou bem na cara do rei, e então o rei disse que aquilo era revoltante!
O bonito ficou paradinho e meditou por um bom tempo. Por fim, pensaram que ele não podia pular de jeito nenhum.
“Se apenas ele não tivesse ficado indisposto!”, disse o cão de caça da corte, e depois cheirou-o novamente: SWOOOOOOOOOOOOOOOOOOSH! O bonito deu um pulo curto e vacilante direto pro colo da princesa, que estava sentada num banquinho de ouro baixo.
O rei disse “o pulo mais alto é pular para a minha filha, porque esse é o verdadeiro objetivo! Mas uma cabeça é necessária para acertar um tal alvo, e o bonito mostrou que tem uma cabeça. Ele tem pernas na sua testa!”
E assim ele ficou com a princesa.
“Apesar de tudo fui eu quem pulou mais alto!”, disse a pulga. “Mas não importa. Que ela tenha aquele troço de pernas-de-pau e cera! Eu pulei mais alto! Mas nesse mundo uma pessoa precisa ter um corpo se quer ser vista.”
E então a pulga foi pras guerras no estrangeiro, onde dizem que ela foi morta.
O gafanhoto sentou numa vala e ficou pensando nas coisas do mundo como elas realmente são. E então ele também disse “o que é necessário é um corpo! O que é necessário é um corpo!”
E então ele cantou sua própria canção melancólica, e foi daí que nós tiramos essa história. Mas podia muito bem ser uma mentira, mesmo que tenha aparecido impressa.
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(tradução livre de The Jumpers, do Hans Andersen)
(note-se que esse conto é Larista e Discordiano e Peixuxiano! \ö/ viva os bonitos e os atuns, principalmente!)

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