27.2.09

koan do mamão solitário  

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ou
O Bater da Palma de um Mamão
(The Sound of One Hand)

A muuito tempo, num templo kennin havia um mestre chamado Mokurai, o Trovão Silencioso. Ele cuidava de um garoto de doze aninhos chamado Toyo. O moleque todos os dias via os discípulos mais velhos visitarem o mestre fora das aulas, todas as manhãs, todas as noites. Tanto para receber instruções pessoais de sanzen, como para pedir ajuda a driblar obstáculos e resolver problemas como teoricuzices e frescuras do gênero. E todos eles recebiam koans difíceis e misteriosos para pensar no caminho de casa.
(porqua naquela época não tinha ônibus nem propagandas no caminho)


Dai, o guri quis fazer sanzen, também.
(soou legal nea?)

"Não," disse Mokurai. "'Cê ainda é muito cabaço."

Anoitecendo, o moleque foi até a porta da sala de sanzen do cara e bateu no gongo avisando que tinha chegado, como nada aconteceu e havia gostado do barulho, ele deu umas porradas bem altas na merda do gongo até o velho acordar irritado e amaldiçoar 5 gerações futuras do guri.

Tendo o chamado antendido, fez 3 reverências e entra, senta e fica com uma cara de bicho de pelúcia pedindo por favor. O mestre aceita ensinar ao pentelho e começa:

"Você sabe o som de duas mãos quando elas batem uma na outra, mas me diga como é o som de uma mão."

Não, ele não bateu punheta. Ao invés, reverenciou de novo o coroa e foi pro quarto dele pensar naquilo tudo. Olhando para a mão ele pensa, "Puta merda, 5 gerações...". E nonada ele ouviu de sua janela o uma gueisha cantando, mas seu canto era esquisito, era como se estivesse com alguma coisa na boca... "Ah, deve ser isso!" concluiu ele.

Na noite seguinte, quando o mestre pediu prele ilustrar o som de uma mão, Toyo começou a imitar os sons da geisha.

Assustado o velho pergunta "É esse o barulho que você faz quando... Você andou se masturbando, seu pestinha?!"

Aturdido e sem saber o que "gemer como uma vadia" significava, resolveu ir num lugar mais calmo para meditar. E meditou. "Como diabos é o som de um mamão?". E aconteceu dele ouvir o barulho do rio correndo.

Na noite seguinte ele imitou o barulho do rio pro mestre.

"Quê? Não 'leque, isso é barulho de água."

Em vão o guri meditou. Ele ouviu o barulho do vento, que foi rejeitado. O choro de uma coruja, grilos, e ele não desistia.

Por vinte e três vezes ele visitou o mestre com sons diferentes. Todos mó viagem. E ficou assim por quase um ano.

Mas um dia, nonada, o pequeno grande Toyo conseguiu entrar num profundo estado meditativo e transcendeu todos os sons. "Já não havia mais nada pr'eu chutar" ele explicou depois, "então me veio na cabeça o som sem barulho."

E ele descobriu o som de um mamão só.

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2 x23 comentários: to “ koan do mamão solitário


  • 1/3/09 16:30  

    WE ARE IMMANENTIZING THE ESCHATON

    That is not dead which can eternal lie,
    And with strange aeons even death may die.

    http://www.blumenkraft.net.ms/

    FROM THE RORORO 3rD MIND CABAL

    See you in Ingolstadt 2012/2013
    End of the World Party
    (just in case)

    :-)


  • 1/3/09 16:32  

    (bate no peito)

    SMI²LE

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